A Casa da Felicidade
No dia do acontecimento que hoje partilho convosco, eu deveria ter uns 6 anos de prática notarial. Já tinha arrecadado alguma experiência em procurações, inventários, testamentos, reconhecimentos, certificações e, claro, escrituras de compra e venda de imóveis. Apanhei, para o bem e para o mal, aqueles anos loucos do mercado imobiliário que antecederam “a bolha”. Era rara a semana em que o cartório não tinha uma escritura em agenda. Mas desta, em concreto, nunca me esqueci. Era uma manhã de março e chovia. Como é meu apanágio, entrei na sala 5 minutos antes da hora marcada (era o primeiro ato do dia), verifiquei computador e ligação ao ecrã secundário e abri o ficheiro com a minuta da escritura. À medida que os outorgantes foram chegando, fui cumprimentando e solicitando documentação, para não perder tempo. O casal de vendedores sentou-se à minha esquerda. O comprador, o pai deste (munido de uma procuração em representação da noiva do primeiro) e o gestor de conta do banco (por ser uma...