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Mulheres III

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Não me canso de dizê-lo: ser Intérprete de Conferência é um privilégio e adoro esta profissão! Trabalhei ontem para a representação da Comissão Europeia em Portugal. O tema da conferência: a Primavera Árabe. Um tema que sempre me seduziu e ao qual estive sempre atenta pela sua singularidade. Foi destacado o papel da Tunísia nesta que é apelidada de Revolução “soft” ou pacífica e que alguns gostam de comparar à nossa Revolução dos Cravos. A intervenção de que mais gostei foi sobre o papel da mulher nesta revolução e, agora, neste período de transição: incrível o que as mulheres podem fazer quando se juntam em prol de um bem comum! E foi na senda deste trabalho que descobri esta pérola, a “Grândola Vila Morena” tunisina.

Encore un tournant

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J’ai toujours rêvé d’entretenir un dialogue de sourds avec Clarice Lispector… (baseado no poema “Mude” de Edson Marques cuja autoria é erradamente atribuída a Clarice Lispector em várias dezenas de publicações na Internet) MUDANÇA - Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade. - Às vezes a mudança tem de ser depressa, Clarice. - Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa. - Quando era pequena, gostava de fazer cabanas em baixo da mesa da sala. Montava lá uma casa inteira. - Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa. - Quando chego à cidade, gosto de estacionar o carro longe e fazer uma caminhada. Está lá sempre aquela fila de pardais na alta tensão. Os sons são imensos. Amanhã, estaciono em outro sítio. - Tome outros ônibus. - A próxima vez que for a Lisboa, penduro-me no 28, ...

Carta aos meus seguidores

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Já estou instalada em terras de Sua Majestade, Amigos! Desculpem o silêncio, mas os últimos dois meses foram um turbilhão de acontecimentos e ainda não tinha encontrado a tranquilidade necessária para vos dar notícias. Nos primeiros dias, ficámos em casa de uma prima do Carlos. Entretanto, arranjámos um pequeno apartamento mobilado nos subúrbios. Não é bem o que queríamos, mas, com o tempo, encontraremos um cantinho melhor. O Carlos já começou as aulas na universidade e está a correr bem. Admiro a sua capacidade de recomeço, inabalável e otimista. Também já arranjei emprego, pessoal! Logo na segunda semana, à segunda entrevista! É uma empresa de import/export que tem muitos negócios com o Brasil. Sou uma espécie de polivalente: secretária, tradutora, relações públicas, comercial… O salário é bom (ótimo comparado com o que ganhava em Portugal), os colegas são simpáticos e solidários. Apreciam o meu inglês e o meu trabalho. Há muito que não me sentia tão valorizada no tr...

Intuição

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Diz-se que a intuição não é um dom. Cuida-se, como a um canteiro de flores Diz-se que a intuição feminina é um mito. Steve Jobs tudo fazia com base nela. Sensações evanescentes. Batidas cardíacas aceleradas. Impulsos incontroláveis. Curto-circuito que desliga todas as fases restantes. Sexto sentido de caminhos por descobrir. Certeza incerta. Sonho em estado de vigília. Processo indutivo traduzido por emoções. Sinais… Algumas intuições são boas. Abrem-me ao mundo, enchendo-me de vontades construtoras. Subo a montanha sem esforço e usufruo das suas vistas, monto, desmonto, começo, recomeço. Outras… Paralisam-me, bloqueiam-me, arrefecem-me, descontrolam-me. Qual verbo pronominal… Ter a sua “consciência” deve/deveria constituir uma vantagem, um antídoto. Levar à procura de ersatzes necessários, preparar o caminho…

Mulheres II

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Ainda não tinha começado a ler o livro, já eu gostava da perspectiva de o ler. Humilhação e Glória, o acidentado percurso de algumas mulheres singulares… Tiveram todas as mulheres singulares um percurso acidentado? Terão todas as mulheres singulares um percurso acidentado? Os acidentes de percurso contribuem para a singularidade… Não direi deste livro que deveria ser de leitura obrigatória, pois é um livro sobre liberdade. Sugiro que se sugira… abundantemente. Conjunto de histórias de mulheres que se destacaram em várias áreas (letras/escrita, artes, ciências…), sem esquecer os grandes exemplos nacionais. De envaidecer e sentir orgulho. Este livro é, simultaneamente, uma fonte de inspiração e um ponto de partida para voos mais altos. Dá vontade de. No meu caso, fica uma leve angústia: quando faço o meu curso de Filosofia? E o de História da Arte? Quando? Ai estas leituras perturbadoras!

A Filosofia, da Direita à Esquerda

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A Filosofia é um dos meus hobbies preferidos. No âmbito desse hobby , não abdico da leitura mensal da revista francesa “Philosofie”. Como não podia deixar de ser, a edição de Abril é dedicada às eleições presidenciais em França. Sempre numa perspectiva filosófica, é traçado o retrato dos candidatos e são definidos os valores de direita e de esquerda. Destaco uma curiosíssima reportagem que se esforça por assimilar Hollande à figura de Rousseau e Sarkozy à de Hobbes. A coisa está bem conseguida: o homem “bom por natureza” contra o “homem-lobo”. Mas a minha preferência vai para uma entrevista a Raffaele Simone, um linguista e filósofo italiano (porque é que os linguistas são quase todos filósofos?!), para o qual o homem nasce, à partida, de direita, isto é, egoísta e predador. Posteriormente, por questões diversas associadas ao medo e ao instinto de sobrevivência, vai adquirindo o gosto pela cooperação e pela paz, logo, vai ficando de esquerda. Por outras palavras, enquanto o...

Mulheres I

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Adelaide Cabete (1867-1935) Porque há Mulheres que nos inspiram e que merecem ser conhecidas, revisitadas, lembradas… Adelaide Cabete era alentejana, de família humilde, trabalhou na apanha da ameixa e como empregada doméstica em Elvas. Casou com um livre-pensador (Manuel Fernandes Cabete) com o qual dividia as tarefas domésticas (coisa rara naqueles tempos…) e que a incentivou a estudar («uma mulher para quem o casamento foi uma libertação», segundo Isabel do Carmo). Só fez a instrução primária aos 22 anos! Foi para Lisboa e mudou o rumo da sua vida ao inscrever-se na Escola Médico-Cirúrgica. Formou-se em Medicina em 1900, já depois do casamento, com uma Tese sobre protecção às mulheres grávidas pobres, uma causa que defendeu durante toda a sua vida. Foi uma das principais feministas e republicanas portuguesas do século XX. Presidiu, durante mais de 20 anos, ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Foi uma feroz defensora dos direitos das crianças e dos animais (...