Obras de arte não deveriam ter nome ou Conto de Natal quase surrealista
Martha estava decidida a aproveitar aquela tarde entre o Natal e o Ano Novo para levar as filhas ao museu. Não tinha tido dúvidas na escolha do local. Embora a cidade tivesse uma oferta imensa, há muito que Martha elegera o melhor museu da cidade. Até já tinha lá levado as meninas, ainda pequenas, na esperança de despertar nelas precocemente o gosto que nela era inato. Não tinha tido muito sucesso e esperava agora poder cumprir esse desejo. Apesar das temperaturas negativas, o sol decidira espreitar por entre os palácios e nem mesmo a poluição das petroquímicas assombrou o cenário ideal para a ida ao museu. Vestiram-se casacos quentes, luvas, cachecóis e boinas de lã; calçaram-se as botas mais confortáveis. Martha enfiou na sua mala a tiracolo 2 bloquinhos de notas e 2 lápis. O metro deixou-as na praça do grande imperador. Começava a viagem. A exposição temporária de quadros surrealistas de um coleccionador privado no piso - 2 era a justificação que faltava para animar as meninas. Mart...